Trago novamente à tona o tema das palmas na Santa Missa para tentar responder a alguns leitores que deixaram perguntas nos comentários do artigo.
Impressiona-me realmente como um assunto tão tangencial como este gerou tamanha polêmica. Creio que a origem da celeuma em torno ao tema deve-se sobretudo à permanência da discussão em torno a questão das palmas em si, e não na razão de fundo. Explico-me: a questão das palmas é somente uma das pontas de um grande iceberg que em sua maior parte está escondido sob a concepção que muitos fiéis possuem da Santa Missa.
Pelas explicações dadas por D. Alano a respeito, penso que podemos deduzir que, apesar de ter tocado diretamente num ponto acidental, a mens legislatoris tinha presente a reeducação dos fiéis acerca da Santa Missa, como se pode deduzir das palavras explicativas de D. Roberto:
[...] “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana.
Sem dúvida, existem outros diversos elementos que acabam por distorcer a vivência da natureza da Santa Missa…
Alguns poderiam dizer que as palmas não são elementos de dispersão, mas de louvor ao Deus que vem ao encontro dos homens. Não duvido que muitos fiéis repetem este gesto com esta intenção. Creio que o Bispo também não. Por isso disse que não tratava-se de uma proibição, mas de restrição diante de abusos:
Não se trata de proibir, mas de restringir o uso do gesto das palmas na Missa [...]
E, por que a permissão para umas partes da Missa e não outras? Sinceramente não sei, e acho que os Bispos não veriam problema algum em repensar acerca disso. Em todo caso, será que custa tanto assim viver a Santa Missa se esta carece de palmas? Alguns poderiam alegar: “Mas algumas músicas provocam instintivamente o movimento do corpo, nos levam a bater palmas, etc.” Sim, mas será que essas mesmas músicas, exatamente por isso, são adequadas para acompanhar o Sacrifício Eucarístico?
Há um risco grande de dogmatizarmos certas coisas acidentais e relativizarmos as essenciais, de tal modo que, se aquelas faltam, parece que o essencial carece de valor. Há pessoas que deixariam de freqüentar a Santa Missa em determinado local porque lá não há música, porque o sacerdote se atém ao prescrito no Missal, enfim. São apenas questões que levanto para pensarmos um pouco sobre o que para nós é participar da Santa Missa.
Por fim, alguns comentários chegaram com perguntas do tipo: “Será que não haveria coisas mais importantes para o Bispo preocupar-se?”. Termino respondendo a esses que não existe nada mais importante na vida da Igreja, e na vida dos homens de todos os tempos do que o Santo Sacrifício do Altar, onde Deus revela o extremo de Seu amor aos homens, e, se o Bispo cuida de que os fiéis – sacerdotes e leigos – vivam autênticamente a Missa em sua diocese, terá assegurado todo o demais.



Revmo Padre, sua bênção!
Perfeita síntese sobre um assunto tão atual!
Em Nosso Senhor e na Madre Igreja,
Fernando
-Pro Catholica Societate-
Pe. Demétrio, sua bênção.
“E, por que a permissão para umas partes da Missa e não outras?”
Depois de tanto tempo com palmas do início ao fim, acredito que queiram tirar as palmas aos poucos.
De fato, as músicas não ajudam nem um pouco.
Abraço.
Padre, eu penso que a discussão sobre as palmas é bem conveniente para quem quer perder o foco no verdadeiro sentido da Missa. As palmas me incomodam durante a Missa, especialmente porque em algumas paróquias que participei as pessoas tem o hábito de aplaudir tudo. Homilia não é palestra ou apresentação. Homilia é ensinamento, momento de aprendermos sobre o que Deus nos falou nas leituras, momento de reflexão e atenção. Aplaudir a Palavra, para mim, não representa tanto respeito com a Palavra assim, pois hoje já se vê que aplaudem mecanicamente e não para honrar seja lá o que for. Sem contar que os Padres na paróquia que frequentam já explicaram inúmeras vezes o porque de não aplaudir em determinados momentos. Então, de tantos aplausos não escutam o que o Padre acabou de dizer. Uma vez me disseram: Não ouvimos Deus no barulho. E a Missa deveria ou não ser o lugar do silêncio e recolhimento?
Sua Benção, Padre.
E que Deus lhe abençoe sempre!
Concordo com o Sr., Padre.
A questão de fundo é o significado da Santa Missa. Se não se tem fincado o conceito, as portas para os abusos se abrem.
Att.,
Sua bênção, Pe. Demétrio.
Li um comentário no post anterior sobre palmas, que dizia:
“Mais confuso que bater palmas é o uso e volume de alguns instrumentos (bateria por exemplo) e nada se falou sobre isso.”
Na verdade um leva a outro. Não acredito que alguém vá bater palma no Mosteiro de São Bento, por exemplo.
O que eu me pergunto é: Quem bate palma ou toca bateria sabe, realmente, o que faz? Consegue viver o sacrifício de Cristo enquanto faz isso?
E para mudar isso, precisamos trabalhar com a fé de cada um.
Abraços
Pe. Demétrio, sua bênção!
É a primeira vez que entro neste site e o fiz justamente para buscar mais embasamento sobre a prática de palmas na Santa Missa.
Faço parte de uma Comunidade (Capela) pobre, rural, mas com um bom número de fiéis. Eu e minha Comunidade trabalhamos incansavelmente para que o sonho de Deus aconteça, que é que nenhum irmão se perca.
O povo tem sede de Deus e é por isso que as Igrejas estão cada vez mais lotadas. Me perdoe, Padre, e não pense que sou desobediente, mas não consigo ver problemas em externar a alegria do encontro com o DEUS VIVO.
Devemos também pensar naqueles que estão chegando na Igreja agora, principalmente na minha, pois o Ministério já canta Hinário, nunca teve exagero e não sei se o senhor vai me entender, mas por ser uma Comunidade rural, os recém chegados veem o encontro com os irmãos como também um ato social. Gostaria muito que o Senhor me respondesse a mensagem.
Um abraço em Cristo!
Padre Demétrio
Sua benção
Gostaria de me colocar também contra os exageros com relação a palmas ou gestos nas paróquias.
Realmente pode provocar desvios do sentido da missa.
Preocupa-me também os erros litúrgicos que ocorrem em nossas missas que também podem levar a leigos a aceitar como verdade, o erro.
Como exemplo:
Fração do pão antes do momento certo.
O padre não participar da distribuição da comunhão aos fieis (o fazendo so aos Mesc’s)
Deixar leigos se servir da comunhão por si mesmo (coroinhas, ex.)
Partir a oração pela paz. (Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos…)
Trocar leituras das missas (inclusive Evangelho)
Não haver um momento de silencio apos a comunhão.
E alguns outros erros (acredito que cada paróquia tenha os seus.
Não sei se e por desconhecimento ou por cabeça dura dos padres, mas esses erros acontecem em nossas paróquias.
Seria ótimo uma orientação da Arquidiocese sobre isto, também.
Abraços
Antonio Carlos
Muito esclarecedoras as palavras deste querido pastor. Aliás, foi com ensinamentos do Sr. que também aprendi a ver a missa tridentina de outra forma e a enxergar o verdadeiro sacrificio que se faz no altar e o valor do silencio no culto a Deus.
Hoje o barulho a mim incomoda e desejaria assistir mais missas em silencio e sem musica, para não perder o foco.
Desejo que os fiéis de nossa querida Arquidiocese percebam quao essencial é a preocupação dos nossos bispos, que objetivam nos aproximar mais do Pai.
obs: Ainda em uma comunidade rural pode se desenvolver uma prática de culto fervorosa sem excessos na Santa Missa. Por que não valorizar cada ato do culto com sobriedade e deixar o louvor mais acalorado para momentos específicos?
As pessoas reclamam da suposta proibição das palmas mas ninguem faz um movimento exigindo momento de silencio e adoração após a comunhão, onde estamos mais unidos a Deus, em intimidade.
Em Cristo,
Carríssimo Padre Demétrio,
Saudades!!
Bem, acho que realmente é delicada questão essa das palmas na Santa Missa, e parece ser tão ingenua, que muitos deixaram passar sem perceber a gravidade da questão. Quanto ao bater palmas na Santa Missa, tenho feito esse ato de não batê-las e tenho colhido muitos frutos, mas concordo plenamente que não é só questão das palmas mais também com relação as musicas que nos induzem a fazê-las, temos que nos reeducar a começar pela raiz, e quando penso se devo ou não bater palmas na Missa eu já medito em Nossa Senhora, será que ela e São João estavam aos pés da cruz batendo palmas pela vitória de Nosso Senhor sobre a morte ao som de bateria?
Eu acho que não!!!
Isso já me basta pra saber que se realmente é o mesmo Mistério, porém atualizado de forma incruenta em que eu tenho a graça de participar. Então, não resta duvidas: AS PALMAS NÃO SÃO CONVENIENTES!!!
forte abraço Padre
espero te ver em breve!!!