Deparei-me esses dias com um interessante texto publicado no jornal La Vanguardia, de Barcelona, escrito pelo jornalista Lluís Foix. Trata-se propriamente de uma crítica ao uso que fazemos da rede, mas poderíamos dele inferir interessantes consequências espirituais:
Chegará um dia em que os jovens de hoje quererão mudar seus nomes para apagar suas atividades juvenis na internet, redes sociais e toda a tecnologia que nos envolve. (…) Eric Schmidt [presidente da Google] explicou ao Wall Street Journal que muitos jovens não são conscientes das conseqüências de ter à disposição do mundo tanta informação pessoal sobre eles na rede.
Já parou para pensar a sério acerca disso? É um tema que dá “pano pra manga” se o aplicamos ao campo moral.
O que escrevemos, o que buscamos, o que vemos na web integram aquilo que a moral clássica chama de «atos humanos», aquelas ações que são realizadas com o concurso de nossa vontade deliberada. Devido à sua estreita relação com a nossa liberdade, esses atos comprometem de algum modo todo o nosso ser.
É bem verdade que, enquanto estamos aqui na terra, sempre podemos reencaminhar a nossa existência; reconhecer nossos erros, retificar, buscar novos caminhos. Disso, nós católicos o sabemos muito bem pela experiência pessoal que guardamos com o Sacramento da Confissão [alguém - seria De Niro num filme? - chegou inclusive a dizer que “ser católico é muito bom, pois sempre se pode começar do zero!”]. Porém, não podemos olvidar que, mesmo retificando nossos atos, suas consequências permanecem.
As ações que realizamos possuem uma trancendência tremenda. Nelas comprometemos nossa felicidade ou condenação eternas. Daí decorre a necessidade de aproveitar bem cada segundo de nossa existência.
“Chegará um dia em que os jovens de hoje quererão mudar seus nomes para apagar suas atividades juvenis na internet”. Oxalá chegue o dia em que os jovens de hoje queiram também mudar suas vidas para apagar com uma conduta limpa o rastro de sujeira deixado em sua juventude.
Graças a Deus que, para nosso bem, Sua memória a respeito das nossas misérias não é tão rigorosa como o histórico do Google…



Olá, padre!
Muito interessante o texto. Verdade é que esses dias fui pesquisar meu nome de bobeira no Google, e fiquei impressionada com o tanto de informações que achei sobre mim. Uma, inclusive, que eu nem sabia, sobre o resultado de uma prova que fiz.
O Google não perdoa!
Esse dia já chegou pra mim. Meu primeiro blog, deletado automaticamente pelo servidor por falta de atualização, era repleto de lixo intelectual. Às vezes sinto vergonha das coisas que lá escrevi, quando me lembro delas. A sorte é que a maioria das coisas eu esqueci.
Hoje sou muito mais cauteloso com as coisas que escrevo, e com o meu agir no “mundo real”.
Sua bênção, padre!
Parabéns padre pela reflexão! Se tivermos um pouco mais de prudência no uso das tecnologias muitos problemas podem ser evitados!
Abraços fraternos!