4 comentários para “Quando a fé se converte em xarope”

  1. Caro Padre Demétrio, ótimo texto! Via dia desses um pedaço do ‘Fala que eu te escuto’, da Record, quase que por curiosidade antropológica. E é impressionante como Deus é instrumentalizado ali. Não apenas pelos ‘pastores’, mas pelos homens e mulheres que ali estão. Um senhora dizia que não aceitava as dores que sentia, que se recusava a aceitar, e que por isso procurou a seita do Macedo, pois Deus ‘tinha’ que curá-la. Ora, pensei, quem é servo de quem? É Deus o servo do homem? Quão belo o verdadeiro cristianismo que nos ensina a aceitar as dores, a aceitá-las, se não até com certa gratidão, pelo menos com resignação. Esperar e suplicar a cura de Deus é uma coisa; exigi-la é outra, é inverter o sentido do universo e transformar Deus em xarope, como o senhor bem disse. Se Cristo fosse isso que eles pintam, simplesmente não teria se sacrificado, não teria sentido dores, teria cedido à tentação no deserto, teria saído da cruz quando provocado a tanto.

    Grande abraço!

  2. Esse é um fenômeno muito comum… as pessoas se aproximam da fé porque estão com problemas, seja de saúde, seja familiares, seja financeiros… e querem que milagrosamente todos os problemas sumam de uma hora para outra, sem qualquer comprometimento da parte delas… já ouvi uma vez que “poxa, estou ATÉ indo à Missa aos domingos, mas minha vida continua enrolada !”… demonstrei satisfação por essa pessoa estar indo à Missa, e perguntei se não gostaria de se confessar, comungar… a pessoa disse: “não, peraí, calma.. estou indo devagar…” … na verdade a pessoa não queria mudar de vida, pois precisaria fazer algumas renúncias… ou seja, querem que Deus faça tudo, mas não estão dispostos a fazer nada por Deus…

  3. Parabéns Padre Demério. Muito bom texto!
    abraço!

  4. Essa é uma grande tentação da contemporaneidade cientificista: encontrar provas empíricas do divino. Todo semestre uma grande revista de circulação nacional estampa em suas capas: “Acharam o DNA da oração!”. Ou “Encontrou-se o lado do cérebro que reza”. Reducionismo perigoso… Infelizmente alguns cristãos menos atentos caem nessa armadilha.

    Boa sacada alertar-nos, Pe. Demétrio.

    Abração!!!!

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