Hoje, ao render graças ao Senhor pelos três anos de minha ordenação diaconal, na Memória litúrgica de São Luís Maria Grignon de Montfort, gostaria de partilhar esse testemunho do Papa João Paulo II, que recebi por e-mail, em entrevista com o jornalista André Frossard.
Aproveito para fomentar a leitura do Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Muito recomendável, sobretudo, àqueles que ainda não conseguiram dar-se conta de que a devoção mariana é essencialmente cristológica.
A leitura deste livro fez com que eu mudasse a minha vida de forma radical e definitiva. Apesar disto, meu caminho interior foi longo, coincidindo com a preparação clandestina ao sacerdócio que eu vivenciava. Na ocasião, este tratado singular caiu em minhas mãos. Não se trata de um simples livro que se lê, apenas, e basta. Eu o levava sempre comigo, mesmo quando ia à fábrica de soda, se bem que a bela capa já estivesse manchada de cal. Eu lia e relia, sem cessar, e, sucessivamente, certas passagens.
Logo percebi que, além da sua forma barroca, o livro apresentava algo de fundamental. A partir de então, a devoção que, outrora eu dedicava à Mãe de Jesus, tanto na infância quanto na adolescência, deixou lugar a uma nova atitude de minha parte, transformando-se numa devoção vinda da mais profunda fé, como sendo o próprio cerne da realidade Trinitária e Cristológica. Antes, eu me mantinha retraído, temendo que a devoção mariana pudesse se avultar, em detrimento do amor a Cristo Jesus, em vez de ceder-lhe o merecido lugar; compreendi, então, à luz do tratado de Grignon de Montfort, que a realidade era bem outra. Nossa relação interior com a Mãe de Deus resulta, de forma orgânica, de nosso elo com o mistério de Cristo. Não existe a menor hipótese de que o amor que dedicamos à Virgem supere nosso amor a Deus. (…) Podemos até afirmar que, àquele que procura conhecer e amar a Deus, o próprio Cristo designa sua Santa Mãe, como caminho e intercessora, como fez no Calvário, oferecendo-a a seu discípulo, João.
(André Frossard e João Paulo II, Não Tenhais Medo! 1982, pp.184-185)



Estimado Pe. Demétrio, ler este artigo foi uma inspiração do Senhor pois estarei refletindo sobre o dogma Maria Mãe de Deus com o catecumenato.
Deus o ilumine… sempre.
a paz…
Carlos Valença